quinta-feira, 9 de julho de 2026

Guia de Boas Práticas | Atividade 2_Avaliação em Contextos eLearning

 


   Infografia criada com recurso a IA generativa (NotebookLM, 2026).

Diário de Bordo — Atividade 2 


1. Contextualização

Este trabalho teve como base a análise dos capítulos 7 e 8 da obra de Conrad e Openo (2019), Assessment strategies for online learning: Engagement and authenticity, tendo o grupo ficado responsável por desenvolver o Capítulo 3 do Guia de Boas Práticas — dedicado ao planeamento, às tecnologias e ao feedback na avaliação online. Diferente da Atividade 1, em que o ponto de partida era uma pergunta lançada a uma IA, este trabalho partiu diretamente da leitura de uma obra de referência, cabendo à IA um papel de apoio à organização e à escrita, e não de gerador de conteúdo teórico. Este registo documenta o processo de construção do capítulo, as opções tomadas em grupo e a forma como geri, em concreto, a utilização da IA — servindo de atualização ao meu blogue digital.

2. O processo de trabalho

O primeiro desafio foi decidir como organizar um capítulo inteiro a partir de uma leitura densa, sem perder o fio condutor entre os vários conceitos que Conrad e Openo (2019) apresentam. Optámos por uma estrutura que parte do enquadramento teórico geral (a avaliação como génese do planeamento) até à aplicação prática (um exemplo concreto numa unidade curricular de Gestão), passando pelos conceitos-chave, pelo desenvolvimento do tema e pela articulação com os desafios atuais.

Um dos conceitos que mais me interpelou foi o de avaliação como génese do planeamento, que rompe com a lógica tradicional de organizar primeiro os conteúdos e só depois pensar na avaliação. Conrad e Openo (2019) defendem que deve ser o docente a clarificar, antes de mais, o que pretende que os estudantes aprendam e que evidências podem demonstrar essa aprendizagem — sendo essa clarificação que deve orientar a escolha de conteúdos, atividades e ferramentas digitais. Esta ideia aproxima-se do conceito de design reverso de Wiggins e McTighe (2005), que também discutimos no capítulo: planear a partir do fim, definindo primeiro os resultados de aprendizagem esperados, para só depois organizar conteúdos, tarefas e instrumentos de avaliação. Vi aqui uma ligação direta ao princípio do alinhamento construtivo de Biggs (2003), que sustenta que o processo se torna mais coerente quando existe uma relação clara entre resultados esperados, estratégias de ensino e avaliação.

3. Fundamentação teórica: da avaliação autêntica à monitorização do percurso

O trabalho procurou não ficar apenas pelo enquadramento conceptual, mas mostrar como estes princípios se traduzem em práticas concretas de avaliação online.

Um dos pilares foi o conceito de avaliação autêntica (Wiggins, 1998), que privilegia tarefas com significado e aplicabilidade, em vez de atividades centradas na reprodução teórica — mobilizando o conhecimento em contextos próximos da realidade profissional. Cruzámos esta ideia com a hierarquia de resultados de aprendizagem de Costa e Garmston (2013), que distingue diferentes níveis de complexidade cognitiva, indo além do domínio factual para incluir disposições como o pensamento crítico, a autonomia e a responsabilidade.

Outro ponto central foi o papel das tecnologias digitais — wikis, fóruns, blogs, e-portefólios — não como espaços de mera entrega de trabalhos, mas como instrumentos capazes de tornar visível o processo de aprendizagem. Aqui apoiámo-nos em Amante e Oliveira (2016), que sublinham que avaliar não é apenas classificar, mas acompanhar o percurso dos estudantes, perceber dificuldades e usar essa informação para melhorar o ensino. As wikis, em particular, permitem identificar o contributo individual em trabalhos colaborativos, tornando visível a construção coletiva do conhecimento; os blogs e portefólios, por sua vez, facilitam a reflexão crítica e o registo da evolução da aprendizagem — o que é, de resto, precisamente a função que este próprio diário de bordo cumpre no meu percurso.

O papel do feedback foi outro eixo importante do capítulo. Apoiámo-nos em Nicol e Macfarlane-Dick (2006), que defendem que o feedback contínuo e orientador contribui para a autorregulação da aprendizagem e para a melhoria progressiva do desempenho dos estudantes — o que só é possível se a avaliação for pensada como processo, e não como classificação isolada no final da unidade curricular.

Por fim, situámos a discussão nos desafios atuais, nomeadamente os associados à Inteligência Artificial. Apoiámo-nos na UNESCO (2023) e no relatório do JISC (2020) para argumentar que, mais do que reforçar mecanismos de controlo e deteção, importa desenvolver estratégias de avaliação autênticas e contextualizadas — difíceis de reproduzir de forma mecânica, precisamente porque mobilizam experiência pessoal e profissional que não é externalizável nem delegável. Esta conclusão dialoga diretamente com o que já tínhamos discutido na Atividade 1, a propósito da distinção entre avaliar o produto e avaliar o julgamento crítico do estudante.

4. O uso da IA e a sua avaliação crítica

Ao contrário da Atividade 1, em que a IA foi o ponto de partida do trabalho, neste capítulo a IA foi usada sobretudo como ferramenta de apoio: na exploração inicial do tema, na estruturação do capítulo, na síntese de conceitos e na revisão linguística. O conteúdo teórico foi sempre baseado na leitura direta da obra de Conrad e Openo (2019), cabendo à IA um papel de reformulação textual e revisão da correção linguística em português de Portugal académico — nunca de substituição do trabalho intelectual do grupo.

Esta distinção pareceu-me importante de registar no diário: usámos a IA de forma crítica e consciente do seu papel, coerente com aquilo que já tínhamos concluído na Atividade 1 sobre os limites de aceitar acriticamente uma resposta de IA. Na avaliação que fizemos do próprio uso da ferramenta, identificámos como principal limitação a tendência da IA para gerar respostas demasiado genéricas ou excessivamente estruturadas, exigindo reformulação para garantir um estilo mais natural. Não identificámos "alucinações" relevantes, mas todas as informações foram validadas com base na leitura direta da obra de referência e de outras fontes credíveis — um procedimento de validação que considero ter sido decisivo para a integridade científica do trabalho.

5. O trabalho em grupo

Este trabalho envolveu, pela primeira vez neste percurso, um grupo de quatro elementos (Filomena Rodrigues, Pedro Alves, Susana Luís e eu própria), o que trouxe uma dinâmica diferente da anterior, feita a pares. A divisão de tarefas e a necessidade de conciliar diferentes leituras de um mesmo capítulo obrigou a um esforço adicional de coordenação, mas também enriqueceu a discussão — cada elemento trazia um ângulo ligeiramente distinto sobre os mesmos conceitos, o que ajudou a tornar o texto final mais completo do que se tivesse sido escrito por uma só pessoa.

6. Aprendizagens e próximos passos

Este trabalho reforçou uma ideia que já vinha da Atividade 1, mas agora vista de outro ângulo: a de que a avaliação, para ser coerente, precisa de ser pensada desde o início do planeamento, e não acrescentada no final como um momento isolado de classificação. Se na Atividade 1 a questão central era distinguir entre avaliar o produto e avaliar o julgamento crítico do estudante, neste trabalho a questão central foi perceber que essa distinção só é operacionalizável se a avaliação estiver alinhada, desde a génese do planeamento, com os resultados de aprendizagem e com as tecnologias escolhidas — ideia sustentada tanto por Conrad e Openo (2019) como por Biggs (2003) e Wiggins e McTighe (2005).

Para os próximos trabalhos, proponho-me:

  1. Continuar a documentar de forma transparente o uso da IA, distinguindo claramente entre apoio à forma (estruturação, revisão linguística) e apoio ao conteúdo (o que deve continuar a resultar de leitura direta e discussão crítica em grupo);
  2. Explorar com mais detalhe exemplos práticos de aplicação dos conceitos teóricos, à semelhança do exemplo da unidade curricular de Gestão que desenvolvemos neste capítulo;
  3. Manter, também no trabalho em grupos maiores, a mesma exigência de problematização autónoma que identifiquei como área a melhorar na Atividade 1.

7. Reflexão final crítica

Olhando para este trabalho em conjunto com a Atividade 1, sinto que o meu percurso na disciplina está a construir um fio condutor coerente: primeiro, aprendi a confrontar criticamente uma resposta de IA com a literatura científica; agora, aprendi a gerir de forma transparente e crítica o uso da IA como ferramenta de apoio, sem a deixar substituir o trabalho intelectual do grupo. Estas são, na prática, duas faces do mesmo problema — o de garantir que a tecnologia serve a aprendizagem e o pensamento crítico, e não o contrário.

Uma limitação que reconheço neste trabalho é que, por ter sido construído a partir de uma única obra de referência (Conrad & Openo, 2019), a discussão ficou por vezes mais próxima de uma sistematização dos conceitos do autor do que de um confronto crítico entre diferentes perspectivas teóricas — ao contrário do que acontecera na Atividade 1, em que o confronto entre duas fontes distintas (Amante et al., 2014; Kickbusch et al., 2025) tinha gerado uma reflexão mais problematizadora. Fica como aprendizagem para trabalhos futuros a necessidade de, mesmo quando a base é uma única obra, procurar ativamente vozes divergentes ou complementares que permitam testar os seus limites — tal como já fizemos, com mais sucesso, no confronto entre a IA e a literatura na primeira atividade.

 

Referências Bibliográficas

Amante, L., & Oliveira, I. (Coords.). (2016). Avaliação das aprendizagens: Perspetivas, contextos e práticas. Universidade Aberta.

Biggs, J. (2003). Teaching for quality learning at university: What the student does (2nd ed.). Open University Press.

Conrad, D., & Openo, J. (2019). Assessment strategies for online learning: Engagement and authenticity. Athabasca University Press. https://doi.org/10.15215/aupress/9781771992329.01

Costa, A. L., & Garmston, R. J. (2013). Cognitive coaching: Developing self-directed leaders and learners (3rd ed.). Rowman & Littlefield.

JISC. (2020). Assessment and feedback in a digital age. Joint Information Systems Committee. https://www.jisc.ac.uk/reports/assessment-and-feedback-in-a-digital-age

Nicol, D. J., & Macfarlane-Dick, D. (2006). Formative assessment and self-regulated learning: A model and seven principles of good feedback practice. Studies in Higher Education, 31(2), 199–218. https://doi.org/10.1080/03075070600572090

UNESCO. (2023). Guidance for generative AI in education and research. UNESCO. https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000386693

Wiggins, G. (1998). Educative assessment: Designing assessments to inform and improve student performance. Jossey-Bass.

Wiggins, G., & McTighe, J. (2005). Understanding by design (Expanded 2nd ed.). ASCD.

Link para guia


Disciplina: Avaliação em Contextos de Elearning 

Mestrado em Pedagogia do eLearning Grupo 4: Filomena Rodrigues, Pedro Alves, Susana Luís e Tânia Santos

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